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Práticas de Educação Ambiental valorizam comunidades e apoiam a proteção das UCs

Paula Piccin/IPÊ

No III Seminário de Boas Práticas de Gestão nas Unidades de Conservação foram apresentadas e debatidas as 46 boas práticas de gestão previamente selecionadas para o evento, pelo sucesso e inovação em sua aplicação. Durante três dias gestores, comunidades e voluntários discutiram, em Brasília, de que forma essas iniciativas podem melhorar, ganhar escala e serem replicadas.

O III Seminário de Boas Práticas aconteceu junto com o I Fórum Internacional de Parcerias na Gestão de UCs, eventos promovidos pelo ICMBio em parceria com o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, Gordon and Betty Moore Foundation, Projeto Desenvolvimento de Parcerias Ambientais Público-Privadas, apoiado pelo Banco Interamericano para o Desenvolvimento (BID), Caixa Econômica Federal (CEF), Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ), Serviço Florestal Norte-Americano (USFS) e Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), entre outros.

Durante o evento, a Educação Ambiental foi amplamente discutida entre os gestores e representantes de unidades de conservação como uma prática relevante na implementação de áreas protegidas.

Sete boas práticas de educação ambiental foram apresentadas no evento e todas elas mostraram algum tipo de benefício direto para a UCs, como a aproximação entre os responsáveis pela gestão da unidade e a sociedade civil e o aumento da organização comunitária que, muitas vezes estava desacreditada entre moradores como uma estratégia de desenvolvimento local.

Mais uma vez, as parcerias intersetoriais foram destaque como instrumentos para a realização desses projetos. Este foi o caso da prática realizada na Reserva Extrativista Prainha do Canto Verde, que contou com a participação da Associação de Moradores da Prainha do Canto Verde, Laboratório de Cartografia Social (LABOCART) e Laboratório de Geoecologia da Paisagem e Planejamento Ambiental (LAGEPLAN), ambos do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC).

O projeto construiu um zoneamento ambiental da Resex, de forma participativa. As parcerias otimizaram os recursos e ajudaram na disseminação do conhecimento entre os jovens e na motivação para a participação dos moradores locais com a Cartografia Social, uma ferramenta que permite às populações tradicionais desenhar, com ajuda de profissionais, os mapas dos territórios aos quais pertencem.

Iniciativas como essa ampliam o conhecimento da comunidade sobre o que são as Unidades de Conservação e como elas funcionam, empoderam jovens lideranças e jovens extrativistas.

Criatividade e respeito às tradições

Os representantes das práticas apresentadas no evento também reconhecem a necessidade de projetos de educação ambiental serem pensados a partir do conhecimento da realidade local, valorizando a cultura, tradições e saberes existentes. A criatividade para envolver e mobilizar as pessoas para desenvolver projetos educativos também é ponto fundamental.

Na Reserva Extrativista Rio Unini, Parque Nacional do Jaú e Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Amanã, por exemplo, a educomunicação foi utilizada como ferramenta para envolver jovens pela proteção da unidade, capacitando-os para a construção midiática, registro e sistematização de conteúdo.

Hoje, os jovens criam matérias para o jornal mural, videos e áudios sobre a realidade local, seus desafios e sua cultura, em uma linguagem acessível a todos, com foco nos interesses da comunidade. A prática fortalece o protagonismo juvenil na gestão participativa das UC, promove o acesso à informação, além de estimular a criatividade dos participantes.

Desafios e oportunidades

As práticas de educação ambiental nas Unidades de Conservação ainda têm desafios importantes, segundo os participantes do debate. Para eles, o processo ainda não é contínuo e nem todos os projetos têm equipes de base ou conseguem manter suas parcerias, recursos e equipamentos.

Algumas oportunidades apontadas para superar isso são: ampliar a aproximação das escolas com as atividades dentro dos territórios, fortalecer a economia de base local com turismo de base comunitária e agroecologia como estratégias educativas, e ainda ampliar ações como cursos para construção de viveiros e formação de viveiristas.

Conheça aqui outras Boas Práticas sobre participação social na conservação da biodiversidade.

Confira aqui o resumo das Boas Práticas apresentadas no evento.

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