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Flonas no RS são potenciais de recreação, lazer e alimentação

flonas de canela e sfp

As Florestas Nacionais de Canela e São Francisco de Paula, no Rio Grande do Sul, foram objetos de estudo no projeto de Parcerias Ambientais Público-privadas – PAPP, desenvolvido pelo ICMBio e Ministério do Meio Ambiente, sob a coordenação  do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) e patrocínio do BID/FOMIN e FSA/CEF. No texto abaixo, daremos um panorama sobre os resultados deste estudo, que você pode conferir na íntegra aqui.

O estudo de caso formulado para estas flonas foi construído tendo em vista o desenvolvimento de parcerias para o fomento de atividades de recreação e visitação com caráter educativo, alternativas de uso sustentáveis para as unidades. O estudo mostrou que o uso público em unidades de conservação pode ser uma importante ferramenta para o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, recreação e lazer, assim como uma alternativa de utilização dos recursos naturais e culturais, podendo contribuir para o desenvolvimento econômico e social sustentável das comunidades locais.

De maneira geral, o estudo teve como objetivos: analisar a viabilidade econômico-financeira das atividades potenciais da região, avaliar o instrumento jurídico de parcerias ambientais, apontar alternativas juridicamente adequadas para viabilizar a reversão de parte do recurso arrecadado com desenvolvimento econômico em investimentos para adequar as infraestruturas de visitação das UCs e sua operação, e determinar impactos sociais, econômicos e ambientais dessas alternativas.

Região turística importante para a construção de modelos de parcerias

As cidades de Canela e São Francisco de Paula fazem parte da Região das Hortênsias, uma das mais importantes do estado do Rio Grande do Sul em termos de capacidade turística, recebendo mais de 2,5 milhões de visitantes por ano. Por estarem inseridas em uma área rica na prática de atividades de recreação e aventura, estas cidades se destacam como destinos de ecoturismo consolidados na região, e com grande potencial para o investimento em parcerias ambientais. Mas, de acordo com Pedro Paes Lira, coordenador do estudo de caso produzido pela empresa Natureza Urbana, apesar de as UCs apresentarem importante aspecto ambiental e cultural para a localidade, tal competência não tem sido explorada:

– Isso acontece devido à falta de recursos para implantar e manter atividades de ecoturismo e serviços voltados à recepção dos turistas, que poderiam atrair visitantes e tornar as UCs mais conhecidas. Os resultados alcançados pelo estudo demonstraram que existe potencial socioeconômico e ambiental neste tipo de exploração para as UCs em questão, representando uma perspectiva para contribuir de forma efetiva para a implementação, a manutenção e o desenvolvimento sustentável das Flonas por meio de parcerias.

E, para a construção de futuros modelos de cooperação público-privadas nas flonas, é importante entender como estão organizadas as atividades de uso público atual, se existem parcerias firmadas, quais são elas e como podem ser melhoradas. Além do uso público, o levantamento dos atrativos naturais e infraestruturas existentes auxilia na identificação de atividades potenciais, que poderão ser implantas com investimentos de parcerias.

Atualmente, a flona de Canela possui poucas atividades de uso público, focadas, principalmente, na educação e interpretação ambiental e pesquisa. Há de se ressaltar o potencial da unidade, que possui espaços de grande beleza natural, podendo receber atividades de recreação, lazer e alimentação. Na flona de São Francisco de Paula, a visitação é feita por meio de agendamento, principalmente de estudantes e pesquisadores, que procuram a floresta para estudo e lazer por conta da infraestrutura, facilidades de acesso e circulação interna.

Elementos importantes na consolidação de parcerias

Com relação à localização e acesso às unidades, pode ser criado um circuito de ecoturismo entre elas e a realização de tropeirismo ou caminhadas de longa distância.  Neste sentido, observa-se a necessidade de implantar sinalização adequada ao longo das rodovias e caminhos para atrair e orientar visitantes. A flona de Canela está próxima do centro da cidade de Canela, aproximadamente 6 km, sendo de fácil acesso, podendo receber turistas para hospedagem day-use ou mesmo visitas mais rápidas para almoço ou passeios curtos. Já a flona de São Francisco de Paula está a 27 km da cidade de São Francisco de Paula, percurso de uma hora, o que direciona mais seu uso a hospedagem ou day-use.

Com relação ao perfil dos turistas da região, o estudo identificou que a maioria das pessoas é casada e viaja em família, e o principal fator para a escolha do destino são os atrativos naturais da região. Muitos visitantes buscaram informações sobre o destino antes da viagem, o que reforça a importância da divulgação e propaganda em sites de turismo, panfletos, agências de viagens e outros.

Com relação ao uso público, as flonas têm características semelhantes e complementares. A de Canela apresenta um bom potencial para atividades turísticas de charme por conta da proximidade com as cidades de Canela e Gramado, grandes indutores turísticos da região, e possui um conjunto de lagos e edificações históricas associadas à natureza onde poderá se concentrar o uso público, com a implantação de restaurantes, hospedagem e centro de visitantes, desde que reformadas. A Flona de São Francisco de Paula também possui um conjunto de lagos e edificações históricas associados à natureza, entretanto, a Flona de São Francisco de Paula tem um maior apelo e inserção naturais, com potencial de atração de usos mais integrados à natureza, com infraestrutura rústica, para um público que aprecia o ecoturismo e um certo grau de conforto.

O estudo indica também que os Centros de Visitantes (CV) de ambas as flonas devem ter exposições interpretativas de qualidade e acessível a todos, conscientizando sobre a importância de se preservar o meio ambiente. Outro aspecto importante do edifício é seu papel de orientar a visitação, com mapas e indicações sobre os passeios existentes. Sobre isso, a flona de Canela já possui CV, que precisa de melhorias: reforma do edifício, projeto de expografia, implantação de exposição e sinalização, equipamentos para atividades lúdicas, auditório para realização de palestras, apresentações e reuniões. Já a de São Francisco de Paula ainda não conta com esta infraestrutura e as atividades de educação ambiental ocorrem no auditório, no museu e na Casa Araucária, que dá apoio aos visitantes.

Sobre as áreas de alimentação, o estudo sugere que estejam localizadas, sempre que possível, junto aos lagos para que o visitante desfrute da paisagem durante a refeição. Para as áreas de piquenique e churrasco são necessárias novas infraestruturas, assim como para o quiosque, que é uma pequena estrutura para venda de alimentos naturais ou semi-prontos, bebidas naturais, bebidas quentes, sorvete e outras de fácil preparação e montagem. Já a implantação de um café poderá disponibilizar aos visitantes produtos da região, como o chocolate. Já o restaurante e a lanchonete poderão ser implantados em alguma edificação existente, para venda de refeições.

Poderá ser implantada também uma infraestrutura para venda e exposição de artesanato local, souvenires, produtos de primeira necessidade e produtos para preparo de alimentação. Sobre o artesanato local, é importante a produção de produtos em madeira, mel, geleias e pinhão, por meio de programas socioambientais.

Pedro comenta ainda que, ao longo do estudo, foram realizadas reuniões com os principais atores institucionais ligados à prática e ao mercado de turismo e ecoturismo local, com intuito de apresentar as UCs em questão e discutir sobre o potencial turístico existente e possibilidade de parcerias: “A boa notícia é que o contato com estes interlocutores auxiliou na divulgação das áreas e de seus atrativos, atraindo o interesse de futuros parceiros e investidores. Acredita-se assim, que, com a implementação do projeto, novas parcerias serão firmadas, implementando e melhorando a gestão da visitação das UCs”, explica.

Modelo de negócios e estudos jurídicos

Também a partir do estudo das potenciais atividades relacionadas ao lazer, eventos, ecoturismo, turismo de aventura e turismo rural, foi desenvolvido um modelo de negócios com o objetivo de dar sustentação econômica e financeira a uma parceria entre o ICMBio e um agente privado.

Este modelo foi desenvolvido levando em consideração a vocação natural das duas unidades, as atividades e atrativos já existentes na região, as necessidades das unidades e sua missão institucional. Propõe-se então, um modelo de negócios que confira a possibilidade de um retorno adequado ao parceiro, ao passo que permita o desenvolvimento de novas ideias empreendedoras sobre o modelo básico proposto. Este modelo tem por base a obrigatoriedade do desenvolvimento de algumas atividades relacionadas ao uso público e a permissão prévia de outras que, a depender do interesse do parceiro privado, poderão ser desenvolvidas em locais pré-selecionados.

Sob a ótica jurídica, diversos foram os modelos de contratação eleitos pelo ICMBio nos últimos anos para a gestão destes ativos, sendo que a opção por uma ou outra forma de relacionamento junto à iniciativa privada variou conforme as características e finalidades perseguidas em cada projeto/iniciativa. O estudo apresenta um modelo com o objetivo de melhor capturar o potencial inerente aos ativos ambientais sob a gestão do Instituto, além de otimizar sua gestão, em cooperação com atores privados que detenham, de um lado, capacidade técnica para a exploração deste potencial, e, de outro, capacidade financeira para a realização de investimentos e custeio operacional de serviços que já sejam ou passem a ser – no âmbito da aliança público-privada – oferecidos nas Unidades de Conservação.

Imagem: Flona de Canela

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